segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012



06 de fevereiro de 2012 | N° 16971
Davi Coimbra


TUDO QUE O INTER QUERIA

O máximo e o mínimo

O empate em 2 a 2 no Gre-Nal de ontem, no Olímpico, era tudo que o Inter queria. Ou quase tudo: melhor, só mesmo a vitória. Porque o Inter entrou em campo com camisa alternativa e os 10 jogadores de linha reservas, estreou (bem) mais um argentino e descansou seus titulares para a Libertadores. Já o Grêmio não evoluiu no Campeonato Gaúcho, não aproveitou a oportunidade para bater o rival e ainda perdeu seus dois laterais por lesão.

Mas no início o Grêmio fez valer de sobejo a vantagem de jogar com seus titulares. O time de Caio Jr se impôs com naturalidade desde o primeiro minuto. E não é força de expressão – a um minuto e meio, Marquinhos levantou a bola para Moreno, que, no meio da área, cabeceou para trás, nas mãos de Muriel. Esse lance de precoce foi um símbolo da proposta de jogo do Grêmio. Moreno fixou residência na área do Inter, como se fosse um farol para os jogadores de meio-campo e para os laterais, que não pararam jamais de procurá-lo.

Aos três minutos, Julio Cesar cruzou uma bola para ele, e Fabrício salvou no último instante para escanteio. Um minuto depois, a jogada se repetiu. Desta vez Moreno conseguiu tocar na bola de cabeça, mas ela saiu fraca. Aos sete, Moreno cabeceou de novo, Leandro tocou para o gol e o árbitro assinalou (corretamente) impedimento. Aos 14, mais uma vez a bola chegou a Moreno na marca do pênalti, ele bateu de voleio e a bola explodiu na cabeça de Bolívar. Aos 19, Moreno chutou de perna esquerda, para fora.

Moreno, Moreno, Moreno. Ele era o dono do jogo. Mas, para a surpresa de Moreno, do Grêmio, dos gremistas e talvez até dos colorados, foi o Inter que abriu o placar. Aos 21 minutos, Dátolo recebeu a bola na intermediária, mandou um espingardaço de perna esquerda, o tiro ricocheteou em dois jogadores do Grêmio e entrou. Não foi culpa de Victor, foi mérito da canhota poderosa de Dátolo. Esse meia-esquerda argentino, que fez sua estreia no Inter, foi a melhor notícia do clássico para a torcida colorada. Mostrou habilidade, interesse e agressividade.

De resto, o meio-campo do Grêmio dominou o setor sem sobressaltos, apesar da sonolência de Marco Antônio. A primazia gremista ocorria graças a Fernando e Marquinhos, a dupla de volantes que fazia o jogo começar com qualidade. Às vezes até se aventuravam no ataque, como um lance aos 36 minutos do segundo tempo em que Fernando passou em velocidade por metade do time do Inter e quase marcou. Mas quem marcou mesmo foi o outro volante.

Foi Marquinhos quem, aos 27 minutos, cobrou a falta que devia ser um levantamento, mas que acabou entrando no gol do Inter, empatando o Gre-Nal, Quatro minutos depois, em nova cobrança de falta, Moreno foi empurrado por Josimar dentro da área: pênalti. Moreno, que no meio da semana disse ter sonhado que marcaria um gol no clássico, pediu para cobrar. Cobrou e o sonho se tornou realidade.

O primeiro tempo terminou com o Grêmio sofrendo duas perdas graves: os laterais Mário Fernandes e Julio César saíram por lesão, Julio César no joelho, Mário Fernandes no ombro, podendo ter que passar por cirurgia. O Inter voltou do intervalo mais animado, mais agudo, tentando jogar e não apenas se defender.

Deu certo. Aos poucos, os reservas do Inter foram se acomodando na partida, foram se tornando mais ousados. Aos 29, numa cobrança de escanteio da esquerda, Bolívar cabeceou no meio da área e empatou a partida.

O Grêmio seguiu levemente melhor, mas aí o único titular do Inter entrou em ação. Muriel praticou três defesas cinematográficas em três cabeçadas: Moreno, aos 30 minutos, e Kleber, aos 45 e aos 49. O jogo terminou com a torcida gremista vaiando o próprio time, inconformada pelo empate com os reservas do rival.

O que é um retrato do jogo: o Grêmio fez o máximo que pôde, e não foi suficiente; o Inter fez o mínimo necessário, e de mais não precisou.

David Coimbra

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